Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

SINAL DOS TEMPOS

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Dois defeitos antagônicos são extremamente comuns a quem já teve uma existência considerável no tempo: ou ela fica completamente insensível aos grandes acontecimentos da vida, ou ela fica extremamente sensível ao menor dos fatos.

Me explico.

O insensível é aquele chato que diz que “nada mais importa”, “nada mais vale a pena” ou que “bom mesmo era no meu tempo”. No tempo dele era que tinha música, que as pessoas eram educadas, que as crianças se divertiam de verdade, que as pessoas tinham fé, etc etc. Eu acho isso tudo uma baboseira.

Quando eu tinha 16 anos, vi o filme O nome da rosa, que se passa na Idade Média, o período mais chato da história da humanidade, na minha opinião na época. Opinião esta que mudou ao ver o filme, pois até então eu só conhecia esse período pelas figuras paradas dos quadros – pois só no Renascimento que os quadros ganhariam técnicas que davam a impressão de movimento -, além da má influência iluminista de chamá-la Idade das Trevas. O livro de Umberto Eco, que deu origem ao filme, mostra uma Idade Média não muito diferente de hoje em dia. Na verdade, o mundo era diferente, mas as pessoas é que eram as mesmas: tinha gente invejosa, gente que amava, que odiava, que roubava, que perdoava. Gente de todo tipo. Igual a hoje.

Desde então ficou muito claro na minha cabeça: tudo sempre existiu! Só os objetos é que mudam, mas os tipos de pessoas e o que as move são os mesmos desde que um ser humano é um ser humano.

Porém, o que mais me chama a atenção é o segundo tipo. As pessoas sensíveis demais.

Estas que o tempo faz delas verdadeiras cargas pesadas. Seres cheios de dores e mágoas e que os fatos novos da vida são ofensas pessoais à sua existência. São aqueles que cultivam as próprias feridas ao invés de curá-las. Que ninguém sabe o que se passa com eles, só eles mesmos e para provar isso são capazes de afundar na angústia, ao invés de largar o peso, voltarem para a superfície e verem novamente a luz do Sol.

Conheci gente que chegava ao cúmulo de acumular as dores/questões dos seus pais e avós, acreditam? Isso não é raro. É como aquelas brigas de famílias que vemos nas novelas e no cinema, que duram séculos, com pessoas se matando sendo que já nem lembram mais porque começaram a brigar.

Coisas que eles nem sequer viveram, mas que lembram como se fosse a joia da família, gerando antipatias, medos, tristezas e até ódios. Alguns acham que isso que é reverenciar a memória de quem se foi, perpetuando aquela dor ad eternum. Por isso a raiva tão grande das novas gerações que questionam o sentido de se manter uma coisa dessas.

E é nesse lugar que as pontas se encontram. Elas se ofendem quando o tempo muda o mundo e as pessoas, porque bom mesmo era naquele tempo…

Na minha humilde opinião, não há recordação de “tempo bom” que valha uma existência de dores e mágoas.

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Publicado às 4 de abril de 2014 por em Filmes, História, Livros e marcado , , , .
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