Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

DA PROTAGONISTA DE CABELO ROSA

Professora-Juliana

Quem me conhece há mais de 15 minutos sabe que eu amo televisão.

Adoro.

Mesmo quando não estou vendo TV, eu estou vendo TV, quer dizer quando não estou vendo algum canal de televisão, estou vendo o que está sendo feito para a TV em canais estrangeiros ou vídeos no Youtube.

Por isso, uma questão que muito me interessa é a pergunta: qual é o futuro da TV? Com a popularização da internet e cada vez mais possibilidades de se ver um programa on demand (quer dizer, um programa que você escolhe a hora de assistir), muito tem se repetido que este é o fim da televisão. Que ninguém mais precisa ficar preso a uma grade fixa de horários e que, por exemplo, quando as notícias chegam à TV, já estão velhas, pois todo mundo já ficou sabendo pelo twitter ou pelo Facebook.

Então, é o fim da telinha?

CLARO QUE NÃO! Nada nunca some. Todas as coisas que disseram que desapareceriam da Terra pelas inovações tecnológicas – como o vinil, o rádio, o cinema, etc – não desapareceram. Viraram vintage e mantêm um público fiel.

Quanto à dramaturgia televisiva, em especial as novelas, muitos gritam que é um formato datado e com os dias contados. Que não durará muito mais. Não me parece verdade e a minha justificativa está no cabelo cor de rosa da Professora Juliana de Meu pedacinho de chão.

Na forma de executar a nova novela das 6, Luis Fernando Carvalho (diretor da novela) tem a grande sacada de transformar uma história realmente datada em uma fábula, o que dá ao escritor da novela toda a liberdade para criar e, para o telespectador, de acreditar.

No início, as novelas contavam histórias completamente fantasiosas. Histórias de capa e espada em algum lugar da Europa, sheikes árabes e momentos históricos do Brasil. Só depois de muita briga, Janete Clair conseguiu o direito de fazer uma história com pessoas com nomes, roupas e problemas iguais à época em que a novela se passava.

Desde então, houve uma perseguição desesperada das novelas por realismo. A vida cotidiana ditava o ritmo e as modas das novelas e estas criaram modas, sugeriram novas atitudes e levaram assuntos à mesa da família brasileira.

Acontece que a TV tem perdido todo dia o cetro de ser o espelho da realidade por meio de suas câmeras. Cada vez mais este poder tem sido dado à internet e suas redes sociais, por isso vozes ruidosas tem repetido o prenunciado fim da telenovela.

Porém o diretor de Hoje é dia de Maria tem trabalhado para tirar as produções dramatúrgicas do aprisionamento do “real” e colocá-las num lugar mais próximo de produções artísticas. Movimento este que vem sido acompanhado de jovens diretores, como é o exemplo de Amora Mautner, diretora de Avenida Brasil – última grande produção elogiada da Globo e que se tornou referência desde então. Eu lembro de ficar chocado – mas só eu – na cena em que Carminha enterra Nina viva e, apesar de ser num lugar no meio do nada, a luz da cena era vermelha. Isso pode não fazer diferença nenhuma ao contexto, mas realisticamente se poderia questionar “de onde vem essa luz vermelha”. A pergunta não foi feita porque casava inteiramente com o sentimento de terror da cena.

Portanto, vê-se que há uma solução para o problema do novo local ocupado pela televisão. Pelo bem da sua sobrevivência, ela deve se portar como TV e não como um retrato da realidade. Quer dizer, ela deve se apresentar como veículo artístico que tem todo o direito te ter uma protagonista de cabelo rosa.

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6 comentários em “DA PROTAGONISTA DE CABELO ROSA

  1. Jorge R.
    14 de abril de 2014

    As novelas não estão datadas, o seu formato está. Precisa diminuir a duração, procurar interagir mais com o telespectador. O problema são os autores de novela, quanto mais ambicioso o tema da novela, mais longe ele passa da realidade do telespectador. Walcyr Carrasco escreveu uma novela péssima, mas soube guardar sua carta na manga pro final, e muito mais um elemento ideológico, será lembrado por umas cenas, e não por uma novela inteira. Manoel Carlos devia estar emocionando todos com sua última novela, simplesmente joga personagens irritantes com motivações vazias e sem a devida sexualidade típica dos personagens do Maneco. Exemplos claros de novelas com uma boa dose de interação, Avenida Brasil, Sangue Bom, Cheias de Charme, Lado a lado, todas bem distintas, mas com uma aproximação clara com seus telespectadores. O público mudou, os contadores de histórias precisam enxergar de maneira menos pesada e sem planos de caricatura do povo.

    Curtido por 2 pessoas

    • Ítalo Damasceno
      14 de abril de 2014

      Tu disse que o formato da novela está datado, mas no desenvolvimento, tu fala do conteúdo.
      Eu acho que o formato é eterno (a ideia de você contar uma história por capítulos), mas a forma de contar a história e as histórias contadas é que precisam ser revisadas. =)

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  2. alejandrina
    14 de abril de 2014

    eu acho que o formato de “esperar ao proximo capitulo” gera curiosidade e até ansiedade e quando é aproveitado de um jeito interessante faz da novela o que ela é (pelo menos no Brasil) um momento de encontro real (em cada casa) e virtual (entre todas as pessoas que estao olhando a novela nessa mesma hora e finalmente gera um encontro trans-tudo: porque faz que pessoas nada a ver uma com a outra possam conversar na fila do mercado, no metro, na venda de frutas, a empregada com a patroa, homens com mulheres, idosos com adolescentes, etc, etc, etc. Isso me fascina. Acho que so quando o ser humano perca a vontade de ser supreendido entao a novela some. Tomara, entao, que isso nao acontecer nunca. Falaria muito mal da gente.

    Curtido por 1 pessoa

    • Ítalo Damasceno
      15 de abril de 2014

      Tu sabe que só quando eu vi o teu espanto sobre o que é uma novela para os brasileiros foi que eu entendi a magnitude do fenômeno. E tu ainda foi testemunha de um momento muito importante para essa história: vimos juntos o final de Avenida Brasil!!! hahahah
      Com direito a reportagem no Jornal Nacional e tudo, mostrando que não tinha ninguém na rua

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Publicado às 14 de abril de 2014 por em História, Memórias e marcado , , , .
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