Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

O CELULAR E O SONHO

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O texto de hoje vai ser algo diferente, caro leitor. Eu vou contar uma história e você vai decidir se ela aconteceu de verdade ou se é um conto inventado por mim. Vamos lá:

Na manhã ensolarada e fria, acordei triste e com a consciência pesada por conta do sonho que eu tive na noite anterior. Isso mesmo, por conta do sonho.

No sonho, eu precisava pegar um táxi para voltar para casa, mas no caminho eu descobria que não tinha dinheiro para pagar a corrida. O pânico se instalava, porém eu lembrava que tinha R$100,00 numa gaveta em casa – neste ponto,  fica comprovado que realmente se trata de um sonho. Ao chegar em casa, vou ao meu quarto buscar a nota de cem. Eu deveria receber uns sessenta reais de troco, então ele me entrega um bolo de notas amassadas. Com medo que estivesse sendo enganado, resolvo desembolar logo as notas para contar o dinheiro e, qual não foi a surpresa, percebo que ele havia me dado R$ 200,00 de troco. Quer dizer, não só ele não cobrou a corrida como me deu o dobro do valor da nota que eu tinha entregue.

No final do sonho eu via o taxista entrando no carro para ir embora e não avisava que ele tinha me dado dinheiro a mais, mas essa não foi uma decisão tranquila. Eu me perguntava se deveria ter dito ou não e enquanto isso ele ia indo. Isso me fez acordar com um peso enorme na cabeça.

Um peso tão grande que eu não tive coragem de contar esse sonho a ninguém, principalmente porque eu sentia, lá no fundo do meu ser, que eu seria capaz de ficar calado para ficar com aquele dinheiro. Por isso eu passei a manhã cabisbaixo a ponto de alguém me dizer que eu tava com cara de boêmio, de quem estava de ressaca. Estava decepcionado comigo mesmo.

O dia foi passando e eu acabei indo almoçar um sanduíche numa lanchonetezinha. Pedi meu almoço e sentei numa mesa isolada, que eu não havia reparado que ficava de frente para a porta da cozinha. Quando estou comendo, vejo sair uma moça, meio atarantada. Ela trazia uma bolsa enorme, que colocou sobre a minha mesa e, sem pedir licença, começou a tirar tudo de dentro. Eu fiquei vendo aquela situação, achando estranho, mas comendo sempre.

Até que observei que ela tirou da bolsa um celular super moderno e, provavelmente, caro. Era enorme, super fino e com uma capa de onça com pedraria. Eu não sei nada de modelo de celular e nem reparo nisso, mas aquele me chamou atenção, até pensei “quando eu trocar o meu, vou procurar por um desses, mas sem essa capa”.

Resolvi me concentrar inteiramente no meu sanduíche mediano que nem percebi que a mulher havia saído do meu lado, no entanto, quando me virei para levantar da mesa, vi que o celular havia ficado ali em cima. Dei uma olhada geral e não havia mais nem sinal da mulher.

Nesse momento, agi rápido.

Peguei o celular e fui direto para o balcão. Expliquei para o rapaz que a moça havia saído da cozinha, mexido na bolsa inteira e que deixara o celular sobre a minha mesa. Ainda fiz questão de mostrar pra ele a capa de onça com pedras, pois eu imaginei que não devia haver muitas capas daquela – espero eu – e que ele poderia reconhecê-la.

Ele recebeu o celular e enquanto eu me dirigia ao caixa para pagar a conta, ouvi os gritos que vinham da cozinha. Da moça – de felicidade – e das outras pessoas – zoando com a cara dela por ter dado um vacilo tão grande. E por ter sido tão sortuda.

Assim que o celular saiu da minha mão, o meu sonho veio inteiro na minha mente. IN-TEI-RO. E junto com o peso do celular, foi-se o peso na minha consciência. Me senti leve novamente e a tristeza passou, principalmente porque, no momento da decisão de devolver o objeto, eu não estava lembrando do meu sonho. Foi uma decisão minha inteiramente consciente e eu fiquei orgulhoso de mim mesmo outra vez.

Consegui até sorrir do sonho ao sair da lanchonete.

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4 comentários em “O CELULAR E O SONHO

  1. Daniel
    6 de maio de 2014

    Ficção. Tu mudou o final e o celular está agora no teu bolso. Cadê a Sheherazade pra te dar uma surra? :ppp

    Curtido por 2 pessoas

  2. alejandrina
    21 de maio de 2014

    todo o que se escreve e fiçao sempre…jejeje. e a realidade sempre inspira e orienta…me desculpem os jornalistas, eles tambem escrevem ficao. 🙂

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  3. alejandrina
    21 de maio de 2014

    ahhh e voce ia conservar a capa…nao minta!

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Publicado às 6 de maio de 2014 por em Literatura, Memórias e marcado .
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