Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

NAS ASAS DE BRASÍLIA

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Hoje, 13 de maio, é uma data muito importante. Completo 3 anos vivendo em Brasília.

Lembro perfeitamente do avião que eu peguei para aqui chegar. De quem me levou ao aeroporto. Dos medos, choros, desejos de boa sorte e dos sonhos que eu carreguei na vinda para essa terra.

Desse acontecimento na minha vida, a maior lição que eu tirei foi aprender a lidar com a possibilidade de voltar para Teresina. Voltar, algumas vezes, parecia um atestado de que “deu errado”. “Se nada der certo, eu volto”. Foi preciso um encontro com uma psicóloga para eu perder esse medo e essa visão horrorosa do que poderia significar voltar para Teresina. Hoje não é mais assim. Teresina é “um retrato na parede e não me dói”.

Ah, esse maldito “complexo de Tieta” que faz a gente pensar: só posso voltar se estiver melhor do que saí, não pode parecer que deu errado. Não deu errado! Na verdade, Gilberto Gil uma vez me disse numa música que é como “se ter ido fosse necessário para voltar”. E foi, mas eu não voltei.

No entanto esse texto não é sobre volta, é sobre vinda.

Eu não vim a Brasília para a coroação da minha vida. Vim para descobrir minha vida. Vocações esquecidas, talentos que eu já havia deixado para lá e atitudes que eu jamais imaginara ter. Eu ainda me surpreendo comigo mesmo.

E que maravilhosas surpresas eu encontrei nesta cidade. Os lugares, as pessoas, os sentimentos e –vejam só – tão boas quanto as que eu tinha em Teresina. A mesma coisa, só que diferente.

Brasília nunca foi fria comigo, nem os brasilienses. Eles existem e adoram gente.

Tiveram pontos negativos e os principais são: é cara; o transporte público é desprezado infelizmente; e há uma violência que paira no ar que, na minha humilde análise, vem da estrutura burocrática da função para a qual a cidade foi criada e pela dor carregada por pessoas que não conseguem lidar com a distância do lugar de onde vieram. Muito já discuti sobre a origem dessa violência de Brasília, não uma violência de roubos e sequestros, mas uma violência gratuita, estruturante das relações sociais que impede alguns de olhar na cara de seja quem for na rua e que produz vítimas nas classes inferiores.

Porém, se você pensar que a maioria das pessoas vieram de outro lugar do país, como dizer que a frieza é inerente à cidade se ela é formada basicamente por quem vem de fora? #tempo para pensar#

Sou apaixonado por Brasília. Não gostei dela até a terceira vez que vim, mas quando me mudei eu já adorava e a maior surpresa foram as asas que eu ganhei ao chegar.

Realmente, Lucio Costa não estava brincando a quando idealizou no formato de um avião. Ele sabia o que estava fazendo. Posso até dizer que ele a fez para mim.

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2 comentários em “NAS ASAS DE BRASÍLIA

  1. Rafael Nova
    15 de maio de 2014

    Tenho muita vontade de conhecer Brasília. Fico pensando na quantidade de energia que acaba sendo direcionada praí, já que a tudo que diz respeito à político ela é de certo modo o “alvo” dos pensamentos. Gostaria de experimentar a cidade. E esta coisa de ir e voltar conheço bem, porque no meu caso eu “voltei” pra casa no RS.

    Curtido por 1 pessoa

    • Ítalo Damasceno
      16 de maio de 2014

      Tem uma coisa forte em Brasília de que a localização geográfica dela é um polo de captação de energia. Só o que tem aqui são comunidades que lidam com todo tipo de energia. Tu ia adorar, Rafa. Tu tem que vir.

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Publicado às 13 de maio de 2014 por em História, Memórias e marcado .
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