Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

CRISE DOS 30

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É, ela bateu. Bateu e bateu forte! – falando assim até parece música do Araketu, mas é a crise mesmo.

Eu estava evitando falar desse assunto porque eu não gosto de parecer um chato que só reclama da vida. Não foi para isso que eu fiz esse blog, mas depois de muito falar/desabafar com amigos, eles me convenceram que não seria chato falar da minha experiência pessoal com a crise dos 30.

Como ela veio até mim? Ela veio na forma de uma tristeza sem razão e de um desânimo com tudo. Tudo parece chato e sem graça. Quase nada parece valer alguma pena. Eu colocava minha vida na ponta do lápis e sempre chegava à mesma conclusão: não tenho um grande problema para tão longa tristeza. Não passo fome, não passo frio; não tenho problemas de saúde, assim como as pessoas que me são caras também não; tenho um mundo de possibilidades e posso fazer o que quiser.

Então por que nada disso me satisfaz?

Mil dúvidas me circulando feito moscas, o que tem me dado muita dor de cabeça -literalmente. Será que eu fiz as escolhas certas? Será que tem uma escolha certa? E se está tudo errado? E se nem tudo está errado, eu deveria resetar minha vida completamente? Por que parece que a vida de todo mundo está a pleno vapor e só na minha nada acontece? E quando acontece é algo que dá errado?

Que forte desejo que aconteça algo, mas que seja algo bom. OU QUE SEJA ALGO!

Eu vejo pessoas casando, tendo filhos, comprando carros, comprando casas, comprando bicicletas, fazendo mestrados, doutorados, pós-doutorados, largando tudo para viver no Nepal, largando tudo para dar comida a famintos na África, se agarrando a tudo porque está indo para Paris, ou lutando com todas as forças para voltar para a casa dos pais.

E quanto a mim? Eu estou aqui.

Quando olho para aquelas pessoas é impossível não sentir uma pontinha de inveja delas. E quando penso racionalmente, eu me lembro “Mas eu nunca quis uma bicicleta, cá dirá um filho”.

Tá duro. Tá difícil. Tá uma loucura.

Para embolar ainda mais o meio de campo, se você me perguntar o que é que eu queria agora na minha vida eu tenho uma resposta para te dar. Eu sei o que anseio, no entanto, com o andar da carruagem, ele tem sido questionado constantemente e tem ficado cada vez mais com cara de sonhos adolescentes e menos com cara de vida possível.

Eu queria terminar esse post com alguma luz, um insight ou apenas uma piada, como geralmente eu tenho feito. Porém o máximo que eu consegui lidar com o assunto foi tomando um porre na semana passada.

Calma, foi de espumante.

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8 comentários em “CRISE DOS 30

  1. Notempo
    27 de maio de 2014

    Genteeeee! Acho que minha crise dos 30 chegou com 15 anos de antecedência. hahahahaha! Sempre fui dramática. Mas, agora que os 30 estão se aproximando, também me vejo em meio a uma crise que é parecida com a sua. Principalmente no que diz respeito a ver pessoas casando e tendo filhos. Fico me perguntando se vou ou não entrar pra este time. Minha resposta é sempre negativa. Porque, se tá difícil de criar e sustentar um mísero relacionamento sério real de verdade, imagina um lar com pessoas que vou ter que me dedicar e não poder mais ter arroubos de isolamento social que a solidão ainda me permite. Explico: ainda posso me dar o luxo de num dia em que acordei de ovo virando (e a lei de murphy aumentou a perseguição contra mim) me fechar em mim mesma e recusar conversar e interagir socialmente. Uma casa com família e obrigações me tiraria esse luxo, mas provavelmente me proporcionaria outros que não conheço. E de me isolar, acho que já conheço o bastante.

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    • Ítalo Damasceno
      27 de maio de 2014

      É isso mesmo, Susyanne. O pior é imaginar que pensar sobre a crise signifique estar sendo dramático. Por isso eu relutava em escrever algo aqui sobre “crise” rsrs.
      Também entendo que para as mulheres o principal questionamento é sobre constituir ou não uma família. Mas isso vai ser assunto de um novo post. Em defesa da mulher de 30 =D

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  2. Rafael Nova
    27 de maio de 2014

    Eu li e fiquei pensando sob um ponto de vista espiritual. Acho que com a chegada dessa maturidade, a gente na realidade deseja encontrar um sentido de realização maior. O “sabor de viver”. Na fase dos vinte anos eu acho que estamos ocupados experimentando o mundo… Mas aqui começa uma necessidade de manifestar, de preencher a nossa vida com um algo que ilumine nossos dias. Quando vejo que muitos de nós estamos perdidos, olhando pro lado, fico pensando no quanto temos a alcançar, que é diferente para cada um, o quanto desejamos ser felizes… Acho que a própria crise já é um sintoma dos passos que estamos dando. Um beijo, querido, compartilho cada sensação!

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  3. Ben Oliveira
    28 de maio de 2014

    Arrasou no texto, querido!
    Acho que passamos por dezenas de crises ao longo da vida. E se há uma lição que podemos tirar com cada uma delas é a de que vai passar. Sempre passa.
    Abraços

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    • Ítalo Damasceno
      28 de maio de 2014

      Own, amigo. Acho que essa é uma outra característica dos 30 anos que estão chegando para mim. Estou perdendo meu otimismo juvenil. Uma sensação forte de que “não vai passar, se eu não fizer nada para mudar, vai tudo continuar do mesmo jeito e a situação ruim não vai passar”.

      Li em uma matéria que apontava “20 erros que você comete quando tem 20 anos” e lá dizia isso mesmo: Achar que o universo vai resolver seus problemas. É só esperar que passa e vai vir uma coisa melhor.

      Pois é, não tá acontecendo isso rsrs.

      Talvez a vida adulta chegue com tantas decisões que você tem que tomar na vida, mas tantas (desde se você vai comprar um carro ou não, até a marca do detergente para a sua casa) que você vai se iludindo que tudo depende da minha atitude, se não nada vai acontecer. Isso só fica mais intenso na medida em que você vai percebendo que, se você não colocar a roupa na máquina, ela não vai aparecer limpa sozinha em cima da sua cama, como acontecia na casa dos pais.

      =***

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  4. Luana
    28 de maio de 2014

    difícil mesmo é o momento de decidir se seus sonhos são possíveis ou viagens de adolescentes… decidir se você precisa de novos sonhos, ou pelo menos novas metas, acho que esse ai é o momento que você não apenas faz 30, mas vira adulto mesmo 😦

    mas como diz um povo acolá, “life sucks, get a fucking helmet!” or numa versão mais otimista “wake up and smell the coffee”

    xx

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    • Ítalo Damasceno
      28 de maio de 2014

      Esse tá sendo das partes mais duras mesmo, Luana. O jeito tá sendo tomar um café mesmo hahaha

      xx

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Publicado às 27 de maio de 2014 por em Memórias e marcado , , , .
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