Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

JOVENS ADULTOS

Jovens Adultos

Quem diria que após completar 30 anos eu ia me descobrir em uma nova categoria. Achei que aos 30 eu seria inapelavelmente ADULTO. Nem tanto… primeiro eu fui “jovem adulto”.

Os jovens adultos são uma categoria usada no mercado editorial que abarca as pessoas de 14 a 29. Eles também podem ser carinhosamente chamados de kidults (kids + adults = pessoas com idades mais avançadas, mas com hábitos ainda infantis ou adolescentes). Para visualizar onde se encontra essa literatura, alguns exemplos de seus escritores são J. K. Rowling (da saga Harry Potter), Stephenie Meyer (da saga Crepúsculo) e o que anda mais na moda ultimamente, John Green (A culpa é das estrelas).

No filme Jovens Adultos (YOUNG ADULTS, 2011), Mavis Gary (Chalize Theron) é uma escritora de livros para esse público. Com mais de 30 e recém divorciada, Mavis tem uma vida que é apresentada como patética: seu café da manhã é uma coca zero, tem um cachorro que ela mal dá bola, tem encontros com homens cujo interesse dela é apenas sexual e precisa escrever o último livro de uma série sobre adolescentes numa escola. Ela tem um choque de realidade quando recebe a foto da filha recém nascida do seu namoradinho da escola interpretado por Patrick Wilson. Então surge a súbita ideia que a sua verdadeira felicidade está em voltar para sua cidadezinha natal e retomar sua história de amor com o antigo namorado. A dimensão do desespero dessa mulher está nos créditos do filme em que ela ouve compulsivamente a fita cassete que ele gravou para ela no tempo do colégio.

Mavis durante sua estadia sempre parece um ser deslocado. Deseja retomar sua vida nos moldes do que ela imagina que seria caso estivesse casada com Patrick ao mesmo tempo que suas ações são mais adequadas à vida que tinha em Mineapollis. Ela é recebida com desconfiança pelas antigas colegas de colégio e só encontra alguma companhia com o antigo freak da escola, um garoto que ela própria espalhava boatos de que fosse gay o que culminou num bullying violento que o deixou com os movimentos limitados.

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Com um aspecto claramente de perturbada, Charlize só está bonita quando se encontra com o ex-namorado. No resto do tempo ela está com cara de quem já bebeu bastante e precisa de um banho. O engraçado é como o roteiro de Diablo Cody contrasta diametralmente a vida da protagonista escritora e as aventuras da personagem que ela descreve em seus livros, pois esta tem todas as possibilidades do mundo à sua frente e Mavis parece se agarrar à última da sua vida. (Isso me lembra que, ironicamente, ao divulgar seu filme, John Green declarou que não compraria seu próprio livro por considerá-lo deprimente – link aqui). Apesar disso, percebemos que ela era exatamente como a personagem – linda e popular -, mas que a vida que buscou na cidade grande dá a sensação de que apenas a teria desperdiçado e que bom mesmo era ter ficado ali e vivido como todos os outros.

É muito fácil qualquer pessoa que passar dos 30 anos se identificar com a personagem de Charlize Theron. Mais ou menos miserável, as indagações que ela se faz são as mesmas que a de quem toma uma decisão na vida, ou seja, qualquer pessoa. Muita gente a admira, outros tem pena, mas o que realmente importa é a imagem que ela tem dela mesma, que no caso é péssima.

A real dimensão da sua vida é dada pela admiradora e irmã do amiguinho freak, mas claro que na forma “Diablo”. Ao indagar o porquê de que todas as pessoas da cidade parecem extremamente felizes com tão pouco e com uma vida inabalável, a enfermeira é inclemente em dizer que nada os atinge, pois suas vidas são tão insignificantes que não ligariam a mínima nem para sua própria morte e que ela estava naquele estado porque, ela sim, teria algo a perder. O que não deixa de ser uma boa pílula de otimismo para qualquer um ouvir estas palavras.

Posso estar viajando, mas eu imagino que a própria Diablo Cody se imaginou de volta à sua cidadezinha depois de ter tentado a vida como stripper e agora sendo uma roteirista premiada. Uma coisa eu sei, o retrato que ela pinta da garota que volta e da sociedade que ela encontra é de um humor mordaz e sem misericórdia.

E o que fica no final é que a tentação de “fazer a Tieta” é um sonho sempre arriscado e quase nunca vale a pena. Apenas para nos lembrar que a gente estaria abrindo mão de muita coisa que conquistou, mas que tratamos com leviandade na correria do dia a dia.

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Publicado às 27 de junho de 2014 por em Filmes, Humor e marcado , , .
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