Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

MUSICAIS PARA QUEM NÃO GOSTA DE MUSICAIS

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Este texto é uma readaptação de um post que eu fiz para o site HOMORREALIDADE (link) há três anos. Sempre ria sozinho relendo-o até que, pegando carona nessa moda de buzzfeed, achei que poderia postá-lo novamente, com novos filmes e opiniões:

Não é segredo nenhum que a comunidade gay é super ligada em musicais. Inclusive, essa característica já foi destaque em filmes e até mesmo em musicais. Já os HT´s fecham logo a cara quando percebem que, de repente, algum personagem começa a cantar. Pois a lista abaixo foi criada com o propósito de você poder chamar aquele seu amigo que só quer saber do brasileirão, sentá-lo na frente da TV e fazê-lo rir, chorar, enfim, cantar e fazer a coreografia junto contigo.

The Rocky Horror Picture Show (1975)

“Dê um pulinho pra esquerda, um passinho pra direita, ponha as mãos nos quadris e aperte os joelhos. Mas é o remelexo da pélvis que te deixa doido. VAMOS FAZER DE NOVO!”

Esse musical tem uma estória incrível: um rapaz pede sua namorada em casamento. Para comemorar, resolvem fazer uma viagem para encontrar o antigo professor de biologia, pois foi nas suas aulas que eles se conheceram. Na viagem, o pneu fura e eles vão parar no castelo do Dr. Frank´n Further – um alienígena travesti – que vem do planeta Transexual, na galáxia de Transilvânia. O Dr. Frank está fazendo um “frankstein” para ele, alto, musculoso, loiro, lindíssimo. Daí em diante o filme vai descambar para a loucura sem fim. A ideia e as músicas foram criadas por Richard O´Brien, que também interpreta o papel de Riff Raff, fazendo um apanhado do melhor do rock juntamente com o melhor (e o pior) dos filmes B – aqueles que passavam nas últimas sessões de cinema na madrugada, os quais você pagava uma entrada e via dois filmes. É diversão e dor de cabeça garantidas. Dor de cabeça porque você vai ficar tentando se controlar e não dançar Time Warp o resto do dia. Aliás, o resto da sua vida.

Obs: Glee fez, em um episódio de halloween, um especial sobre esse filme. Não ficou tão bom quanto, mas foi uma bela lembrança.

Hair (1979)

“Você quer saber se eu sou gay? Não, mas eu não chutaria o Mick Jagger da minha cama.”

Rapaz sai do interior dos EUA rumo a Nova York para se alistar no exército e lutar na guerra do Vietnã. Ele chega numa sexta-feira, mas o dia de se apresentar é só segunda. O que ele faz? Vai passar o final de semana com um grupo de hippies, dormindo no Central Park, tomando drogas, fazendo sexo, e coisas afins. Um tapa na cara da sociedade. Do grande diretor Milos Forman, essa bela joia se destaca pela beleza das letras e das coreografias. Nunca vi um musical com letras tão simples e as danças acontecem de forma tão natural que não parecem coreografia. SENSACIONAL! Outro detalhe é que, quando o filme foi lançado, o Brasil estava sob o regime da ditadura e por isso foi proibido por alguns anos, só sendo liberado na década de 1980. Foi recebido com grande expectativa e aclamação. Ditou moda nas roupas e nas pistas de dança.

Obs1: Se você quiser entender um pouquinho mais a cabeça dos seus pais, veja esse filme, pois eles deviam ter mais ou menos sua idade quando o viram. #Fikdik

Obs2: Talvez, no final desse filme, seu amigo HT queira chorar. Deixe. O filme merece.

Dançando no escuro (Dancer in the dark, 2000)

“Selma, você quebrou a máquina. Tá tudo bem, mas eu vou ter que te demitir.”

Para ver esse musical eu só precisaria dizer duas palavras: Björk e Lars von Trier. Björk é Selma. Selma tem três empregos: dois por obrigação e um por amor. Selma é atriz em musicais, trabalha numa fábrica e tem uma doença congênita que a está deixando cega inevitavelmente. Selma tem um filho que também vai ficar cego se não operar, mas ele não sabe. Ela ama musicais, porque em musicais nada de ruim acontece. Como em todo filme do Lars, a coisa caminha para uma tragédia imensa, dolorosa e – por que não? – grega. Contudo, assim como o fogo, ela tanto queima quanto purifica. Lars destrói toda a crença do espectador na humanidade, mas também te mostra o maior sacrifício que alguém pode fazer por amor. Pelo menos ele te alivia com um final feliz. Quer dizer, mais ou menos…

Obs: o mais interessante desse filme é que ele é um musical para criticar quem acredita que a vida é um musical. Cuidado. Objeto altamente cortante.

Hairspray (2007)

“Ser grande não é o problema aqui.”

Nos anos 60, no último reduto da segregação racial americana, o sonho de uma gordinha é aparecer na TV. Ao receber o não” ela se depara com outra classe que também não podia: os negros. E o resultado desse encontro é uma bunda enorme rebolando ao som da ótima black music. Sem contar que tem Zac Efron numa interpretação super divertida, Michelle Pfeiffer fazendo a vilã (tipo de papel que eu sempre prefiro vê-la), e John Travolta dando um show fazendo a mãe da fofinha (por alguma razão isso é uma tradição: a mãe da protagonista nunca é interpretada por uma mulher, sempre é um homem. Mesmo no teatro, vide que na montagem brasileira, o papel foi de Edson Celulari).

Obs1: Esse filme tem uma versão de 1988, mas não é um musical. A mãe é interpretada pela travesti Divine (link), o que dá todo um toque especial ao filme, porque ela é enorme de gorda de verdade. A direção é de John Waters, diretor do próximo filme a ser comentado.

Obs2: O barato desse musical é a cara de pau das piadas, pois o diretor fez de forma super divertida a evocação dos anos dourados, época em que fumar e beber durante a gravidez ou fazer piada racial não eram vistos com maus olhos.

Cry Baby (1990)

“Faça uma tatuagem em mim. Eu quero uma lágrima. Uma lágrima que nunca vai secar.”

Outro musical que se passa nos anos 60, mas esse bem mais controverso que Hairspray. Enquanto o anterior faz piadas bonitinhas sobre a época, esse a retrata de modo muito louco. Totalmente inimaginável. Sem contar com o delicioso prazer de ter Johnny Depp interpretando o “malvado da motocicleta” título do filme, com um topete imenso. Cry conhece o amor da sua vida – a mocinha mais pura e virginal, bem no estilo Sandy de Grease – durante a vacinação coletiva do colégio. Ela chora e ele não resiste. Pronto, nasce um amor proibido, infinito e extremamente insano. A estória é composta de corridas de carros (com direito a um parto dentro de um deles), prisões, fugas, bailinhos e a maravilhosa Machadinha, que é… bom, não dá para explicar. Você verá.

Obs: Procure conhecer a obra do diretor John Waters e se prepare para ele e para Divine. Sua obra é, segundo Umberto Eco, um dos expoentes do Movimento Camp, que seria uma releitura dos dândis do final do séc. XIX. Chupa essa.

8 Mulheres (8 femmes, 2002)

“Todo homem forma uma cruz com a sombra ao abrir os braços para abraçar a felicidade.”

Na véspera do natal, oito mulheres e um homem estão numa casa isolada no interior da França. O homem aparece morto com uma facada nas costas. Quem são elas? Sua esposa, a sogra, a cunhada, a irmã, duas filhas e duas empregadas. Típico filme de investigação, mas que ganha um colorido por sua teatralidade, além das interpretações magníficas, com direito a Catherine DeneuveFanny Ardant Isabelle Huppert, fora as outras cinco atrizes que não ficam atrás. Certo crítico disse: “Isso não é um elenco. É a própria escalação da seleção da França”. Tá, eu confesso, esse filme não é exatamente um musical. Ele só entrou na lista porque eu o amo e elas cantam.

CABARET (Cabaret, 1972)

“Querido, você tem um cigarro? Estou desesperada.”

Nesta pérola está toda a genialidade da direção e coreografia de Bob Fosse. Na Alemanha às vésperas da Segunda Guerra, um americano chega para tentar a vida e vai morar na mesma pensão da cantora de glamour decadente Sally Bowles (Liza Minnelli). É um mergulho no mundo dos cabarés, reduto da liberdade sexual do início do século XX e que vai acabar na caretice hipócrita do nazismo. O legal aqui é que ninguém dança nas ruas, as apresentações sempre se passam em cima do palco da tal casa de shows introduzidas por um Mestre de Cerimônias que não respeita nada nem ninguém – nem religião, nem exército, nem regra moral, muito menos de gênero. O suposto triângulo amoroso da estória é bissexual e todo mundo pegou todo mundo – repare novamente no ano do filme. Assim como o primeiro da lista, seu amigo vai sair da sessão com muitas perguntas na cabeça. Faça um favor a ele e às pessoas que defendem a liberdade de gênero e responda-as todas.

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Publicado às 31 de julho de 2014 por em Filmes, Humor, Músicas e marcado , , .
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