Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

POUCO REBUCETEIO E MUITA POLÍCIA

angelaeduda

Acabou O Rebu e finalmente podemos dormir em paz de novo. A tão esperada resposta para o “Quem matou?” foi Ângela Mahler, o equivalente ao assassino da primeira versão (link aqui).

Não dá para negar que a novela de George Moura e Sérgio Goldenberg só pegou a ideia original de Bráulio Pedroso transformando-a em algo totalmente novo. As situações, os casais, as investigações e até a própria festa eram todas muito atuais. No entanto, apesar de muito bem escrita, o roteiro de O Rebu teve algumas falhas. A maior delas é que, pela propaganda, era de se esperar muito mais Amaury Jr. e muito menos CSI e não foi o que aconteceu infelizmente. Na primeira semana, quando o telespectador ainda não conhecia os personagens, sua apresentação foi muito mais pelos olhos dos investigadores do que por alguém que estivesse na festa. Não me refiro à sequencia espetacular de abertura em que a câmera passeia pelo salão – repetida no último capítulo com um significado totalmente diferente, agora que havia sido revelado todos os segredos da trama e percebemos que era o primeiro momento logo em seguida ao assassinato-, porém os autores poderiam ter investido um pouco mais nos babados que acontecem numa festa e que não necessariamente tinham haver com a busca da polícia: bebedeiras, brigas, paqueras, mentiras e todas essas coisas que fazem qualquer pessoa querer saber das fofocas no dia seguinte, sem necessariamente ter acontecido um crime.

Pegando seus três últimos trabalho, contando com o O Canto da Sereia e Amores Roubados, já dá para dizer sem dúvidas que me agrada mais o trabalho do diretor José Luís Villamarim do que dos roteiristas. Este tem o dom de transformas cenas de morte em verdadeiras pinturas que eu colocaria na parede do meu quarto (link), como ficou provado na última cena da novela. Com a mão firme, e as cores de cada trabalho muito bem definidas, a novela foi um espetáculo de edição, figurinos e direção de arte, o que faz lamentar ainda mais que o roteiro não tenha ficado tão sublime quanto os elementos técnicos e as interpretações.

EXPCREAL

Sim, as interpretações. Irretocáveis cada uma delas. Todas críveis e sem exageros de “somos ricos, mas também sofremos”. Os exageros ficaram a cargo de quem deveria ser exagerado, como a deliciosa Vic Garcês (Vera Holtz) e sua filha Maria Angélica (Camila Morgado). Patrícia Pilar, Tony Ramos, Cássia Kis Magro, Sophie Charlotte para citar apenas os personagens principais e que não cansávamos de ver. Inclusive, os “bandidos” de O Rebu eram tão humanos que não dava para, por exemplo, olhar para Ângela Mahler e ver uma “assassina”; ela havia matado alguém, mas não era chocante vê-la como alguém que havia sido capaz disso e saber seu motivo travava a garganta do espectador, impedindo-o de chamá-la de criminosa. (Será que somos todos capazes disso, só nos falta um motivo? Será que todo homem merece morrer?)

Essa forma de abordagem do crime em alguns momentos entrou para a conta dos pontos negativos da novela. Nenhum bandido dali o era sem motivo, ou apenas porque queria ficar rico. Todos tinham uma razão, como o Alain, que só roubava e chegou ao ponto de matar um amigo, porque sua mãe precisava de uma cirurgia; no entanto, quando Maria Angélica se oferece para pagar o que ele precisava para eles poderem ficar juntos, ele apenas rouba uma moto e foge. Ele poderia apenas ser um bandido e pronto, não precisava dessa justificativa da mãe. Um outro ponto interessante é o casamento falido de Gilda e Bernardo, os dois advogados de Angela e Braga, respectivamente, que se odeiam e se traem mutuamente, contudo, no final, decidem ficar juntos em nome dos filhos e para que não se destrua a família. A dramaturgia brasileira gosta de dizer que uma das soluções para os corruptos do país é pensar na vergonha que eles vão fazer suas famílias passarem. (Sinceramente, eu nunca vi alguém confessar corrupção ou devolver o dinheiro que roubou por causa dos filhos; quer dizer, já vi gente dizer que rouba para deixar para os filhos.) Eu só me lembro de família ter entrado em casos de corrupção quando ex-esposas vão denunciar os ex-maridos porque descobriram que eles foram infiéis ou que eles estão namorados moças bem mais jovens do que elas.

Apesar de não ter sido um sucesso de audiência, como a primeira versão também não foi, a novela conquistou seu público e o respeito pela qualidade do projeto. No final, foi uma linda homenagem a Bráulio Pedroso, criador da de 1974 e escritor pouco lembrado, apesar dos seus trabalhos tão importantes para a dramaturgia brasileira.

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No fim, Severino é o mais elegante da foto.

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Publicado às 15 de setembro de 2014 por em Novela, TV e marcado , , .
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