Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

NÃO FORAM FELIZES PARA SEMPRE

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Na sexta-feira foi ao ar o último capítulo da série FELIZES PARA SEMPRE? e agora é o momento de ver o seu desenrolar  desde o primeiro que teve um post aqui (link). Bom, posso dizer que ela teve pontos muito positivos, mas para mim não entregou o que prometeu, ou pelo menos o que eu esperava.

Como já foi dito no post anterior, é uma releitura da série QUEM AMA NÃO MATA do mesmo escritor. Uma das homenagens à antiga produção foram os nomes dos personagens que, por exemplo, na versão anterior, o papel de Maria Fernanda Cândido foi interpretado por Marília Pera e se chamava Alice, por isso na atual a personagem se chamou Marília, assim como seu marido que se chamou Cláudio em homenagem ao ator Cláudio Marzo. Isso se deu com os principais, inclusive o Buza (quer dizer, existe de verdade alguém que se chama Buza). A produção de 1982 tinha como principal objetivo retratar as relações e o desequilíbrio dos amantes o que pode levar ao ato desesperado de assassinar a pessoa que lhe desperta o amor. Na atual, as questões sentimentais foram eclipsadas por um esquema de corrupção e grandes somas de dinheiro que foram ligando todos os irmãos da família Drummond – juntamente com a chave de coxa da Danny Bond. Foi revelado que Joel junto com o advogado da empresa tinham um plano de roubar a fortuna de Cláudio, e de quebra colocá-lo na cadeia com Marília, a inocente. O envolvimento da personagem de Paolla Oliveira com o casal foi arquitetado por Joel, que além disso assombrava a ex-mulher e o atual namorado dela lançando suspeitas sobre a verdadeira paternidade do bebê que ela estava esperando.

No primeiro capítulo de QUEM AMA NÃO MATA havia um corpo e não se sabia quem era o assassino, nem o assassinado, mas tudo dava a entender que era resultado dos desentendimentos dos casais. Em FELIZES PARA SEMPRE? a assassinada foi a prostitua Danny Bond, uma verdadeira lástima. Ela foi morta numa situação que não ficou muito claro se a causa foi seu envolvimento com o roubo de 58 milhões de dólares, se por amor, ou se por um mal entendido. Não fica nem claro quem o fez, pois a posição dos personagens estava estranha para algum deles ter dado o tiro. E mesmo que o crime tenha sido passional, quem a amou tanto em tão pouco tempo a ponto de desejar sua morte? Seu envolvimento com cada um deles era tão pueril que, mesmo Marília, sendo tão romântica, não convencia que poderia atirar nela. Era mais crível atirar em Cláudio. E o mesmo se aplica a ele, no sentido inverso.

Na primeira semana de exibição, me incomodou profundamente que a personagem de Adriana Esteves não fazia nada de mais. Reclamou que o marido tinha um fogo muito alto e que ela não conseguia aguentar e trabalhou como médica cirurgiã plástica. Só lá no capítulo terceiro que vimos ela trair o marido com uma pessoa do trabalho, num mix de tesão e alpinismo profissional. O encontro acaba com eles atropelando uma pessoa que morre, o que deixou sua personagem super interessante. Mas aí, ela só enrolou o marido que descobriu não ser pai do filho do casal, foi descoberta como esposa infiel, cometeu um erro numa cirurgia que levou o paciente a óbito e sumiu. Sumiu. A mulher desapareceu de tal forma que no último capítulo, em que todos estavam querendo saber quem ia ser assassinado, ela não apareceu em nenhum momento. Só na última cena, já depois que o crime foi cometido, assim, correndo. Bem subutilizada a coitada.

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Um dos pilares da República: Danny Bond.

Agora, uma coisa que eu gostei e odiei ao mesmo tempo: a forma como Brasília foi representada na série. Brasília foi para a tela como ela aparece diante dos meus olhos. Linda, forte, cheia de significados, com cara de cidade de verdade e não de uma coisa que você constrói no Sim City colocando um bando de monumentos um do lado do outro. Entre os monumentos há as pessoas que vivem aqui. Foi ótimo ver uma família que viveu aqui, cresceu aqui e que tratava a cidade como sua, não apenas como seu escritório de trabalho ou um lugar para fazer falcatruas no governo. No entanto, enquanto que essa era a imagem expressa na tela, por meio do subtexto, duas falas da garota metida a black bloc – representação sarcástica da Sininho – me deram vontade de jogar uma pedra na TV. “Aqui é Brasília, não confia em ninguém não, bobo” ela disse como conselho ao filho da Adriana Esteves de 16 anos. O segundo “Aqui é Brasília” ela soltou quando o garoto viu ela sendo paga para quebrar coisas e desmoralizar as manifestações.

Não, isso não é verdade. Aqui em Brasília fazemos mais do que armar esquemas para lesar os cofres públicos e não é o fato de vir a Brasília que faz alguém optar por agir assim. Já afirmei em um texto anterior que Brasília é o lugar que eu optei para morar e não aceito ser acusado de ter uma moral duvidosa por conta disso. Se assim fosse, as pessoas que moram no Rio de Janeiro seriam muito piores, pois naquele chão floresceu a mais podre flor da burocracia portuguesa, imperial brasileira e republicana até 1960, uma marca dessas não sai com apenas cinquenta anos. Certa vez, em Teresina, uma moça me falou:

– Você mora em Brasília? Faz parte de muitos esquemas de corrupção lá?

– Não, só de dois. Não sou guloso, é só o necessário para pagar o aluguel – respondi com a cara mais cínica do mundo.

Fim do mistério... (fail)

Fim do mistério… (fail)

Em seguida ela veio me questionar se eu tinha coragem de ser corrupto, se eu não achava isso errado. Respondi que não, que seria capaz até de matar. O problema não estaria em cometer o crime, mas ele ser descoberto. Uma pessoa capaz de me fazer uma pergunta dessas não merecia uma resposta verdadeira. Além disso, quem realmente ocupa Brasília não são os brasilienses, mas todas as outras pessoas das mais variadas partes do país. Então quem é ladrão é o povo de Brasília ou das outras partes do país?

Uma outra coisa que merece nota sobre a série foram as belas falas do texto. Extremamente real e sem muito filtro, falou-se palavrão e discutiu-se sobre sexo de um modo natural como é qualquer diálogo de alcova. Marília acusou Cláudio de não mais fazer sexo oral nela e ele rebateu que ela era fria e fazia nele com nojo. Às vezes parece que o público brasileiro tem uma tolerância maior aos temas e palavras mais pesados com as produções estrangeiras do que nas nacionais. Acho que um fuck nunca alcançará o efeito de um “porra”.

Por fim foi isso: lindas tomadas, estórias super interessantes, a bunda da Danny Bond, e ótimos diálogos. Mas a série não teve um final feliz.

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2 comentários em “NÃO FORAM FELIZES PARA SEMPRE

  1. Notempo
    9 de fevereiro de 2015

    Eu estava chateada porque dormi durante o episódio final, mas agora fiquei aliviada. Ainda bem que não vi esse desastre. Como assim matar Danny Bond? Pra quê gente Ô coisa sem nexo. Se alguém rinha que morrer ali esse alguém era o Joel. Esse sim tinha despertado ódio suficiente até em mim, avalie nas pessoas que ele atormentou. Mais uma vez a minha teoria de que os penúltimos capitulos são melhores que os últimos se confirma. Ótima análise, Ítalo. Acompanhei o início e o fim por aqui. Já que também não assisti ao primeiro episódio.

    Curtido por 1 pessoa

    • Ítalo Damasceno
      9 de fevereiro de 2015

      Hahahahah. Jura que tu acompanhou o início e o fim por aqui? Achei isso demais ^^
      Pois é, a Danny Bond foi assassinada e, pra piorar, tu viu aí o Tweet do diretor, né? Nem ele decidiu quem matava. Achei paia, ó.

      Bj

      Curtido por 1 pessoa

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Publicado às 9 de fevereiro de 2015 por em Novela, TV e marcado , , , .
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