Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

O DIA QUE O FACEBOOK FICOU COLORIDO

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Seria uma sexta-feira normal, mas não seria tranquila. Começou com ataques terroristas na França, no Kuait e na Tunísia, o que, com certeza, geraria um sentimento de pesar e dor por todo o dia. Até que, assim, com uma mensagem bonitinha e uma hashtag fofa – #LoveWins -, o presidente dos Estados Unidos da América anunciou que a Suprema Corte Americana aprovou o casamento igualitário para todo o território nacional.

Para entender melhor o que este ato significa na prática e se nós estamos atrasados ou adiantados em relação a eles, fica a dica dessa reportagem aqui (link).

Em seguida, o Facebook fez uma postagem em apoio à decisão da Suprema Corte e liberou um filtrozinho para você colocar na sua foto de perfil. Alguém descobriu, colocou e logo apareceu alguém perguntando como colocava aquilo também. E assim, de repente, de forma divertida e espontânea, as cores do arco-íris foram tomando de conta da time line. Como é de praxe dos nossos tempos, as marcas também foram se contaminando com o colorido e fizeram suas montagens. Os héteros também aderiram numa demonstração de que tem lugar para todo mundo ser feliz quando algo acontece de bom para o meu próximo. Teve gente que ficou tímido e receoso de acharem que ele/a também era gay, para em seguida se sentir confiante de se colorir também, afinal é isso que a gente espera, não? Que todos tenham coragem de expressar seus sentimentos mais bonitos e a fraternidade é um lindo sentimento. Deve ter sido interessante para esta pessoa sentir por alguns minutos o que muitos sentem a vida toda e, após quebrar a barreira do medo, colorir sua foto com mais convicção do que antes o faria.

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Acho que foi a primeira vez que eu vi uma manifestação virtual cuja motivação era uma alegria. Já havia visto muita gente pregando ódio e violência por discordar do pensamento político, denúncias da depravação midiática atual, utilizando para ilustrar uma imagem da Fernanda Montenegro beijando a Nathália Timberg ou grandes manifestações de dor e luto pela morte de alguém. No entanto, me surpreendeu a felicidade que eu senti ao ver gradativamente uma “modinha” me lembrar que ainda tem coisas boas dentro das pessoas, principalmente das pessoas que estão à minha volta. Neste dia eu me permiti baixar a guarda da reflexão crítica constante e apenas curtir a alegria dos confetes coloridos que saltavam da tela do meu computador.

Eu nunca havia posto nada no meu perfil sobre causa nenhuma. Nunca pus foto escrito “luto” quando alguém que me era caro morreu, por exemplo, e nem por isso minha dor ou preocupação eram menores. Apenas é o meu jeito. E se teve alguém que coloriu sua foto pela “moda”, mas na mesa do bar continua repetindo que “tudo bem ser gay, só não precisa ser escandaloso”, ele está perdendo uma boa oportunidade de rever suas atitudes e de observar que quando você inclui, tudo vira festa, e quando você exclui, tudo vira guerra. Mas tudo bem, eu espero que outras festas coloridas venham e ele terá novas oportunidades.

Na minha time line, não vi nenhuma mensagem negativa quanto ao fato, mas me falaram que teve haters reclamando da decisão e das fotos coloridas. Outros dizendo que não sabiam porque os brasileiros estavam comemorando uma decisão da corte americana. Ok, vamos lá: é inegável a influência da cultura americana sobre o Brasil, a tal ponto que várias das religiões homofóbicas utilizam aquele país como modelo de correção e base a ser seguida – acho que neste ponto já ficou claro o que isso quer dizer, não é? -; segundo que esse fato leva o assunto à mesa da população em um contexto, a meu ver, benéfico e positivo, pois antes a abordagem era o quanto era horrível ver aquelas duas velhas sem vergonha da novela das 9 se beijando, com uma cara de que estava todo mundo concordando e querendo empurrar a sexualidade fora do padrão heteronormativo para debaixo do tapete; e em terceiro, no meio mais particular, conheço um  garoto que o dia o inspirou a tal ponto que lhe deu coragem de conversar abertamente com a mãe sobre sua relação com um cara e até mostrar a foto dele para ela (e ela dizer que o achou muito bonito). É por essas coisas – especialmente a terceira – que toda manifestação de apoio ainda é importante e toda omissão pode significar a morte.

foto

Ainda falta muito a se fazer. Existe praticamente toda a pauta trans a se aprovar, é preciso uma concreta visibilidade lésbica, temos que ter uma lei que criminalize a homofobia e os crimes de ódio… ainda existem guerras no mundo, a violência social, o abismo econômico, etc. A lista é imensa, mas não é por isso que uma vitória deve ser eclipsada pela dor de todas as outras violências cometidas no mundo. A beleza da comemoração não é para esquecer os problemas que ainda por aí existem, é para nos dar a força que vem da alegria de alcançar uma vitória, pois ninguém aguenta viver só de porrada e a gente vai se amando, que também sem um carinho, ninguém segura esse rojão.

Agora dá licença, mas até segunda-feira, eu vou comemorar.

Todo mundo vai entrar na festa.

Todo mundo vai entrar na festa.

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Publicado às 27 de junho de 2015 por em História e marcado , , , .
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