Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

CULTURA DO BAN

bebe-enojado

Por conta das minhas atividades recentes – comecei a escrever uma coluna para o Portal Metrópoles -, tive que me fazer presente nas redes sociais. Por causa disso, iniciei uma interação em alguns grupos de discussão no Facebook sobre qualquer coisa. Sim, estou admitindo aqui que jogo baixo: posto e curto coisas para poder minha carinha aparecer mais vezes na timeline de vocês e, assim, mais gente ver que eu estou escrevendo – se quiser, pode chamar a mulherzinha da sineta pra me conduzir nu pelas ruas de Westeros, dizendo Shame Shame Shame.

Coincidentemente, dois grupos que são de temas absolutamente diferentes um do outro passaram pela mesma situação concomitantemente. Integrantes postaram algo que ia contra as regras do grupo e por isso foram ameaçados de banimento (BAN entre os íntimos). Até aí, ok, acontece na vida. Mas então, algo esquisitíssimo aconteceu! Alguns integrantes começaram a dar força para o tal membro ser expulso. Se fosse um grupo que se chamasse “Eu curto o PT” e um desavisado postasse a foto do Aécio, diante da atual situação dos nervos no país, era até compreensível. Acontece que um dos grupos tinha o singelo objetivo de compartilhar experiências literárias. Digamos assim, escritores conversando sobre seus processos criativos e dúvidas morfossintáticas. Foi nesse ambiente intelectual e de incentivo ao pensamento que um simples deslize virou uma ameaça de ban do grupo, o que gerou comentários sarcásticos do tipo “tem neguinho que gosta mesmo de ser banido, hein”.

Eu sempre fiz a piada de dizer “não há nada que una mais as pessoas do que excluir um terceiro”, mas eu ainda me surpreendo com a forma que isso se concretiza. Não há misericórdia ante a pisada de bola de outrem. O erro alheio não causa mais lamento, mas furor em ver a pena aplicada. Assusta o tom ameaçador que a exclusão é mencionada e ainda mais como os outros AMAM vê-la acontecer. Por que? O que tem de bom em ver a engrenagem impiedosa da justiça (com J minúsculo mesmo) em ação ao executar a sentença? Por que ansiamos de forma irracional ver alguém se estrepando, independente de que a pena seja desproporcional, sendo mais importante que ela seja aplicada  e quanto mais cega a sua forma melhor?  É isso que somos? É isso que é a internet/facebook?

Para piorar, olho em volta e só vejo as pessoas pedindo BAN BAN BAN! Banimento por ser a favor/contra a Dilma, o bolsa família, a maioridade penal, uma ou outra religião… nossa, está um saco. Tem gente que fala que está difícil fazer humor com o politicamente correto, mas está difícil mesmo é emitir uma opinião e outra pessoa conversar com você sobre ela, ao invés de só dizer que ela está errada. Eu já sofri duas tentativas de ataque aqui e nas duas me vi com a dúvida “apenas excluo essas brutalidades ou respondo para a pessoa de forma educada na esperança de que ela volte para a luz da razão”? Em ambas arrisquei responder e – milagre talvez – as duas pessoas repensaram o que escreveram e, não sei se passaram a concordar com o que eu escrevi, mas me pediram desculpas por terem sido malcriados. Carinha Feliz_thumb[1]

É uma pena, podendo estar aqui discutindo coisas em níveis mais elevados, ter ainda que repensar as atitudes sobre como receber uma opinião que não é a sua. Mas sem problema, se estamos em um nível tão baixo, vamos começar pelo início: NÃO PODE XINGAR O COLEGUINHA E QUANDO ELE FIZER ALGO QUE VOCÊ ACHE EQUIVOCADO, DIGA ISSO DA FORMA QUE VOCÊ GOSTARIA QUE FALASSEM COM VOCÊ.

bons_modos

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Publicado em 16 de setembro de 2015 por em Sem categoria.
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