Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

O CASO DO ARTIGO NA MPB

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Em seu novo álbum, comemorando 40 anos de carreira, Fafá de Belém resolveu cantar os novos nomes da MPB e assim foi parar nos braços de Johnny Hooker. Não fosse o bastante ter gravado a música Volta, da trilha sonora do filme Tatuagem, é justamente a sua faixa de trabalho, com direito a clipe no melhor estilo das divas de peito aberto  e coração rasgado, preconceituosamente chamadas de brega. Como uma grande amiga descreveu em sábias palavras, o clipe “tem champanhe, tem maquiagem, tem mulher louca mexendo no celular”.  #kemnoonca? Dá uma sacada no clipe aqui.

Acontece que, ao ouvir a letra, a gente percebe que Fafá está clamando pelo retorno de alguém que ela está acostumada a trazer arrastando de volta do bar e que a abandonou para ir viver com outro rapaz, mas mesmo assim ela perdoa. Ué, a pessoa que vivia com ela foi viver com outro rapaz? Então, se era um homem, ele agora está vivendo com outro. Isso quer dizer que… Mas se ela está falando que foi a mulher que foi viver com outro rapaz, a Fafá então… Gente!!!

Por favor, não quero insinuar nada sobre a sexualidade da Fafá, isso realmente não me interessa e o artista pode expressar todos os sentimentos. Me interessa saber que um dos ícones da MPB está usando uma música com conteúdo LGBT na sua faixa de trabalho. E o melhor, ela não adequou a letra para evitar interpretações dúbias. Achei corajoso e que ela está #mortadecorreta.

Não é muito comum isso não. Geralmente os intérpretes mudam os gêneros das letras para dizer que aquelx homem/mulher está cantando para umx mulher/homem, respectivamente. Houve situações que, só de mudar o interprete da canção, já dava um significado outro à mensagem, como quando a Marina Lima cantou ipsis litteris Mesmo que seja eu, do Erasmo Carlos, e a música virou praticamente um hino irreverente lésbico, para surpresa do próprio compositor. Ele próprio teria composto a música Close para a musa inspiradora – maravilhosa – Roberta Close.

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Na ordem: Montage; Solange Tô Aberta; Banda Uó

Em seu livro, A História Sexual da MPB, e na série homônima do Canal Brasil, Rodrigo Faour tem um capítulo especial que ele chama de “A sexualidade transgressora”. Músicas de amor e sexo fora do eixo homem-mulher, em transgressões que vão desde apenas o conteúdo da letra até o visual do intérprete, como Ney Matogrosso e Edy Star. De exemplos modernos, a gente tem o próprio Johnny Hooker, a Banda Uó, Solange Tô Aberta, Montage, Jaloo e o cantor brasiliense Paulo Azeviche (onde anda você, Paulo?) que partiu para tentar carreira em São Paulo com o cd Abaixo A Cueca. Aliás, Paulo tem um estilo tão marcante que a sua interpretação de Super Homem, de Gilberto Gil, dá uma cara à música de verdadeiro manifesto sobre ser gay.

Hooker fará show neste sábado ( 26/09) aqui em Brasília, ali na Torre de TV e Fafá de Belém ganhou ainda mais pontos comigo, se aproximando muito da Alcione no ranking do meu coração. É por isso que eu te faço uma sugestão nas palavras da Dandinha, uma artista da minha terra que soube traduzir exatamente o que eu sinto sobre a versão da Fafá de Volta: “se for beber, ouça”!

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Publicado em 23 de setembro de 2015 por em Humor.
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