Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

A VERDADE SOBRE UM BACKSTAGE DE PASSARELA

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Quando eu escrevi o post sobre o último capítulo de Verdades Secretas, nunca pensei que menos de uma semana depois eu estaria escrevendo um texto sobre minha experiência num backstage. Eu não sou da moda, não sou subcelebridade para ser convidado, nem passava pela minha cabeça buscar este relato, mas ele aconteceu e agora eu posso dizer, com todas as letras, que Verdades não mostrou toda a verdade.

A primeira, mais sincera e chocante de todas: modelos não são furacões sexuais como a Angel e a Giovana. Sério, não são. São meninas doces, educadas, fofas e com uma dose acima da média de inocência. E são altas e lindas. As garotas selecionadas para desfilar pelo atelier Ivson Samabourque eram praticamente todas assim. Extremamente profissionais, realizam seu trabalho com doçura e profissionalismo, no sentido de ficarem bem paradinhas para serem maquiadas, vestidas e ficarem esperando algumas horas para entrarem na passarela por 5 minutos e pronto, acabou. Olha, elas estão de parabéns. Deu até pena quando, uma hora, um organizador gritou para geral: ivs6

– Modelo vestido não senta. Você não pode amassar a roupa da marca – coitadinhos.

Eu também vi como se comporta um estilista que respeita as pessoas com quem está lidando, passando longe de um Maurice Sarjan. Ivson, naquele meio atribulado, tem a voz de comando, toma as decisões, dá os últimos ajustes e ainda mantém o olho aberto para as questões mais sensíveis daquele ambiente.

– Não menina, você não vai desfilar sem o top cor da pele. Você tá louca? Você é de menor, a polícia me leva daqui.

Só então eu olhei à minha volta e vi as carinhas. Era verdade. São todas de 16/17 anos, daí vem a inocência e a fofura daquelas gatas. Encontrei depois uma que claramente já tinha mais de 18 (bem mais de 18) e era a única que já se movia com malícia, ria espalhafatosa, tirava piada com vários homens e era bem descolada, mas também super profissional e solícita. Não rolou papos sobre droga, não vi nada de book rosa e vi uns dois modelos com a maior cara de quem levaria a namorada para se acabar na cracolândia. #vibeesquisita

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Havia uma mesa com lanches para os modelos. Uma caixa com tangerina, outra com banana, vários biscoitos, refrigerante e água. Nada de mais e nada de menos também. O ambiente geral é de descontração, uma galera troca de roupa na frente de todo mundo ou aguarda de peça íntima enquanto a roupa fica pronta. Grande coisa, ninguém está ali para perder tempo secando ninguém, mas mesmo assim, fotos são proibidas para evitar problemas. Achei muito justo. Começamos então a vestir, maquiar e pentear as modelos. Nossa que desespero. Primeiro era tanger essas meninas que estavam cada uma num canto, depois determinar as cores para a make up, em seguida, dar uma espreiada de laquê no cabelo das bonitas. Quando eu vi a moça com o latão de laquê na mão, eu fui me encostando, até que ela ficou sozinha e eu joguei todo o meu charme:

– Ei, não quer dar uma espreiada no meu cabelo, não?

IMG_20151001_163256Acho que ela nunca foi abordada assim, pois riu um bocado, olhou em volta para ver se não tinha ninguém que pudesse nos atrapalhar e deu uma piscadinha para mim. Entendi e rapidinho sentei. Ela se fartou e eu também. Saí de lá duro, alto, volumoso, do jeito que eu gosto.

Chegou a hora do desfile. Correria, contagem, organização, fila. Agora era só deixar elas fazerem o que sabem de melhor. Deixamos só o Ivson para entrar no final, como é de praxe. Assisti o desfile ao lado da costureira, dona Ivonete, que criou a coleção junto com o estilista. O vestido off-white, um que nos bastidores a gente nem tinha achado assim espetacular, quando entrou na passarela, sob a luz certa, com a trilha sonora escolhida e um pôr do sol dando o tom, a costureira se tremeu inteira e eu esperei ela chorar.

– Meu Deus, eu nem acredito que foi a gente que fez isso. Tá tão lindo.

E foi mesmo. As meninas e as roupas. Depois que acabou, todas relaxaram mais e agradeceram a oportunidade. Disseram quais roupas mais gostaram e ainda teve uma que disse que ia mandar fazer uma igual pra ela. Aí, foi a hora do Ivson cair no choro. Não tem como evitar quando você vê a realização de um projeto.

Brindamos com uma rodada de crepe e trocamos as impressões de tudo o que havia rolado. Guardamos as roupas e fomos todos para casa. Eles, querendo sonhar com novas coleções e eu doido para sentar no computador e contar tudo pra vocês.

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PS: Todas as fotos by Caio Araújo.

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Informação

Publicado em 2 de outubro de 2015 por em Humor, Memórias.
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