Eu tô ficando é velho, não é doido não!

idades, crise, felicidades, prazeres, tempo e 30 anos.

DA SERIEZAÇÃO DA GLOBO II: PORQUE ROMERO RÔMULO NÃO TOMA CAFÉ DA MANHÃ

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Após um texto analisando a “seriezação” da programação da Globo (link aqui), eu estava devendo um texto sobre outro fato digno de nota: a novela das 9, A REGRA DO JOGO, é a novela mais próxima de uma série já feita pelo canal. E falo incluindo todos os pontos positivos e negativos que isso pode significar.

Desde a sua estreia até a revelação de que Gibson era o PAI da facção, a novela andou em um passo esquisito. Muita tensão e suspense; poucas soluções; o assassinato chocante de Djanira, uma personagem super carismática; e o abuso pela cegueira de Tóia e Dante. Depois da gente saber o segredo de Gibson e da sua filha Kiki, que era dada como morta, a novela ganhou um gás impressionante além da sensação de que tudo está acontecendo ao mesmo tempo e agora. Um aspecto excelente é o fator dramático junto com as ações. Não só Kiki está viva, como seu próprio pai a sequestrou, ela hoje vive como casada com seu sequestrador, Zé Maria, e teve uma filha dele, num complexo de Estocolmo tanto sensível quanto cruel. Aliás a novela ficou tão boa depois dessas revelações que ela deveria ter sido feita logo e não no capítulo 90.

Mas voltando à primeira metade da novela, li um crítico que dizia que ela era esquisita, pois seis personagens tinham sido mortos e ninguém nunca mais havia falado deles. A polícia não investigava, a família não reclamava seu desaparecimento, concluindo que isso denotava uma trama policial mal amarrada. Eu discordava por identificar desde cedo a “cara de série” da novela. Quem é fã de série é mais acostumado a esses acontecimentos com pontos finais inapeláveis. Personagens somem, morrem, vão embora e nossos corações ficam em frangalhos – e azar da gente que se afeiçoou àquela criatura descartável da trama. O formato de uma série é um episódio por semana, o da novela é 6 vezes na semana. Portanto, os acontecimentos numa série devem ser rápidos e cortantes o suficiente para te fazer ligar nela na semana seguinte, ao mesmo tempo que digere o que aconteceu. Na novela, não tem problema nenhum você perder o capítulo de hoje, pois amanhã os personagens vão repetir o que houve para você se achar, além do que, se vai haver um roubo, por exemplo, nós vemos o passo a passo desde o planejamento, a execução até os seus desdobramentos nos mínimos detalhes.

Pode reparar! Em A Regra do Jogo não há aquelas cenas típicas de novela: pessoas fazendo coisas comuns como indo ao supermercado, comendo juntas, limpando uma casa, sei lá. Mesmo quando a gente vê Romero Rômulo tomando café da manhã com a Tóia eles não estão fazendo de uma forma simples e cotidiana. É com ela tentando destruir a facção e ele armando algum plano para arrancar dinheiro de alguém. Quando acontece uma cena insignificante é nos núcleos periféricos da história – que convenhamos, são péssimos e não têm graça nenhuma. Isso tira do telespectador aquele conforto de novela, de história diária. A Regra não é uma história típica de paternidade, amores impossíveis ou de vinganças e ódios figadais. É uma história que a todo momento te faz uma pergunta e, não sei vocês, mas eu erro a resposta a todo momento ~por isso eu a vejo todo dia.

Comparando com dois clássicos, VALE TUDO ROQUE SANTEIRO, em ambas as obras houve revoluções na teledramaturgia. No entanto, suas novidades foram em termo de conteúdo, de história ou de construção de personagens. Elas continuaram sendo pura e simplesmente novelas. Diferente de A Regra, que o formato de seus capítulos se aproxima a tal ponto de quase tocar o formato de séries. Aqui aproveito para esclarecer também que estou falando de séries no formato mais moderno, de produções pós-FAMÍLIA SOPRANO, que é outra coisa totalmente diferente do que foi feito antes. Também não significa que eu concorde totalmente com este novo formato de telenovela. Vejo vários defeitos, como por exemplo, esta forma direta de contar a estória não te dá muita chance de criar empatia pelos personagens. Acho que a relação com o telespectador fica muito fria e daí só te resta contar com uma estória boa o suficiente para mantê-lo diante da telinha e –SURPRESA- novela não é só uma boa estória. Quantas novelas não se sustentaram apenas porque tinham um ou alguns personagens carismáticos o suficiente para fazer você não querer perder o vínculo com eles, apesar da estória ser mega sem graça (vide o Félix de AMOR À VIDA)? Novela é um composto de boa estória com personagens legais e mais alguns outros fatores.

Nesta experiência de novela com cara de série, sou partidário de que novela é novela e série é série. Os dois podem até se misturar em um ou outro elemento, mas esta experiência vai ser sempre um salto no escuro, sem saber se vai ou não cair no gosto do público. E quanto a A REGRA DO JOGO, que ótima série esta novela daria.

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Publicado às 11 de janeiro de 2016 por em Novela, Série, TV e marcado , .
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